quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Berlim 10-17/02/09 Ich bin ein Berliner

Diz-se das épocas de exames que são alturas em que nada se passa, pelo menos nada de extraordinário. As pessoas fecham-se em casa ou na biblioteca, agarram-se aos livros, mudam a sua rotina e muitas vezes a disposição, e, quando se dá por ela, tudo passou já.

De Janeiro em Kosice pode-se dizer que foi uma normal época de exames, mas com Fevereiro a história é outra.

Esta história começa no dia em que nos demos conta que havia uma semana "por ocupar" em Fevereiro, um limbo entre o fim dos exames e o princípio das aulas. "Há que fazer algo de útil", pensámos nós. E decidimo-nos pela ansiada road-trip. Depois de umas quantas consultas de mapas, além da consulta popular, pusemos de lado a ideia "Sérvia-Bósnia-Bulgária" e decidimos visitar a Roménia. Uma semana, um carro, primeiro 7 e depois 4 pessoas, e todo um enorme país para conhecer. Cluj, Brasov, Sibiu, Bucharest e o objectivo máximo de chegar a Constanta e tocar o Mar Negro. Fernanda, Lídia, Blanca e Marta, as 4 à aventura!
Durante semanas tudo se planeou... até que na véspera caiu em Kosice um nevão monstruoso. Como moças que temem pela sua vida e não querem passar mais tempo a conduzir pela neve que a fazer turismo que somos, abortámos o plano.Punha-se então um problema: "Que raio fazemos?"
Algumas das ideias:
-Vamos à Ucrânia!! ("que assim carimbam-me o passaporte", dizia a Lidia)

-Vamos à Grécia de autocarro (só não fomos porque o Marios estava a dormir)

-Vamos a Praga e a Viena de comboio!

-Vamos a Istambul! Queremos tempo quente!

-Vamos ver para onde há voos baratos...
...e foi a última ideia que pegou! Consulta rápida, voos de Budapeste-Berlim a 100euros ida e volta, um milagre divino, e a Blanca que ainda por cima tem um amigo de Erasmus lá. Uma chamada, três horas a reservar os voos (ora a Internet não funcionava, ora o próprio site dava erro), e assim se marcou a viagem de Fevereiro! Para o dia seguinte! Depois de duas semanas de planos, de repente éramos mestras na arte de planear uma viagem em 4 horas. Pois que seja! Berlim esperava-nos.
Saímos de Kosice terça-feira, a meio da manhã, num comboio azarado, que parou no meio do nada, sem explicações, algures a uma hora de Budapeste. O karma começava a fazer das suas!
Consegui superar-me no aeroporto de Budapeste, com o meu problema da mala. "A sua mala é demasiado grande para mala de mão!", "Mas cabe!" dizia eu, enquanto espremia a mala dentro do cubo cor-de-laranja com os limites de volume. Custou, mas coube. E o "Happy????" que atirei à loira hiper-antipática quando a mala entrou, valeu-me um "No, you have to check it in...". A esta hora já todos os presentes olhavam para a cena, mistura de pena e vontade de rir, e a mala que não me saía do raio do cubo. À força de tanto puxar, acabei a espetar com a estrutura do cubo na cabeça da Marta, e foi vermelha de raiva que atirei uma nota de 50euros para cima do balcão e perguntei "How much do I owe you???". Ela, impassível, loira e cruel, disse "It's not here. You have to pay it there, on the right!". Tramou-me! Que vergonha... e 17 euros tão mal gastos.Com medo que lhes acontecesse o mesmo, as outras miudas esconderam as malas, e assim escaparam ao check-in. Embarcámos com a certeza de que o karma nos perseguia...Em Berlim, tudo correu bem na primeira noite. O amigo da Blanca é um tipo simpático e bem-disposto, que ocupa o seu Erasmus a dormir até tarde, e parecia disposto a guiar-nos por todos os cantos da cidade. Como um gentleman, foi esperar-nos ao aeroporto.
Apresentou-se-me como Pablo, "Yo sou de Abrantes!", na sua opinião, uma frase em português perfeito. Tal como a Blanca, ele mora num bairro de Madrid onde as ruas têm nomes de cidades de Portugal...
Mora num típico apartamento berlinense, que partilha com um alemão peculiar, na zona Este da cidade. Para começar bem a visita, fomos a uma jam-session, numa igreja antiga que se transformou em teatro/café-concerto, a Theatre Kapelle.

Jazz, soul, improviso, um ambiente boémio e acolhedor (checkar aqui http://www.myspace.com/thenewstandardjamsession ). Óptimo!
Depois do merecido descanso (um grupo de marmotas, segundo o Pablo), despertámos quarta-feira para um passeio pela cidade. Kebab para almoço, e uma caminhada pela zona do Muro, onde encontrámos pedaços da História recente da Europa. O Pablo estuda História, por isso imaginem o quão completa foi esta visita. Como o dia estava especialmente frio, fomos até à Humboldt, onde o rapaz parece que estuda, e daí fizemos mais uma caminhada por entre a Ópera, o Monumento aos Livros Queimados, o monumento às Guerras (despojado, frio, estranhamente tocante), e tivemos a primeira visão da Berliner Dom. Pela noite, a destacar-se junto ao rio, é uma das visões de Berlim que mais me apaixonou. E parece ainda maior, iluminada pelas luzes que parecem colocadas do modo mais perfeito que se possa imaginar.
Seguimos para a conhecida Alexanderplatz (como todos sabem, a praça do Alejandro Sanz... :P ), e quarta-feira teve uma noite com um serão calmo, como merecíamos.

Quinta foi o dia de romaria. Verdadeiras turistas, munidas de um guia extremamente completo (leia-se, o amigo da Blanca!), visitámos a Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, uma igreja protestante destruída durante bombardeamentos em 1943. De uma imensa igreja, restou a zona da entrada, que se mantém como Memorial.
A forma caracteristica da torre, meio destruída, sem vitrais, é enquadrada por outros dois edificios, construídos já nos anos 50-60. Tenho a confessar que são muito feios por fora, mas o interior, onde a luz tem tons azulados e se escuta o enorme órgão de tubos, é realmente especial.O resto da manhã levou-se entre um troço de Tiergarten, o maravilhoso Anjo da Vitória, o monumento ao Soldado (imponente, diga-se), o Reichstag e a Porta de Brandenburgo. Ecoava o sentimento de pertença de Kennedy "Eu também sou de Berlim!" Sentíamos que estávamos a pisar pontos importantes da cidade, e o Pablo reforçava essa certeza, com pequenos apontamentos e pequenas histórias. A sensação de pisar ruas com um passado tão rico, e tão terrível, é de uma responsabilidade enorme. Por nós, pelo nosso futuro.

Desde Brandenburgo caminhámos até Potsdamer Platz, passando pelo Memorial do Holocausto, uma construção impressionante que homenageia as vítimas do terror nazi. Em Potsdamer Platz, sentimos o pulsar da nova Berlim, com o Sony Center e a sua cúpula ultra-moderna, e um toque de Berlinale.

Apesar de não termos assistido a filmes, ouvimos um pouquinho de uma entrevista com a René Zellweger, e respirámos a cidade do cinema.

Depois de um almoço preguicento (aonde?? no Kebab!), fomos durante a tarde até ao Checkpoint Charlie (mítico lugar de passagem Este-Oeste), vimos a Topografia do Terror, caminhámos pelas ruas chiques do Quartier 206,

onde um parzinho de sapatos custa 4 digitos,e aproveitámos a entrada gratuita no Museu de História Antiga. "Toda a Arte já foi contemporânea" deu o mote para a nossa visita à bela Nefertiti.

E esta é a metade da nossa crónica de viagem (para maior conforto do leitor e meu, que ainda não recuperei de uma semana a dormir no chão). Uma formatação horrenda do post, mas não consigo melhor, hoje! As fotos estão no álbum do Facebook, são algumas das milhentas ;)
Amanhã há mais! :)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Noite de Festa é noite de Tatransky!

(Chá do Tatras... cor âmbar, odor adocicado, 52% de volume de álcool)



(Para que nunca te esqueças de quanto já bebeste...)










quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Coisas de Kosicas...

Sobre a Anatomia Patológica, essa grande fofa, já não muito mais tenho a dizer (pelo menos, em nome pessoal). Graças a Deus, está arrumada e empacotada... Mas não consigo deixar passar a altura sem descrever um dos cenários mais impossíveis onde já fiz exame.
Em Kosice, os créditos, que é como quem diz, uma série de perguntas sobre a parte prática de cada cadeira, podem acontecer em diversos sítios. Podem ser feitos numa sala que é invadida por um cão, com a professora a usar uns confortáveis chinelos, ou podem ser feitos sentados no sofá do gabinete da professora, também ela a usar uns confortáveis chinelos, enquanto nos mostra no computador imagens que quer ver identificadas. Mas isto são os créditos, e toda a gente sabe que os créditos são para meninos!
Hoje, ao terceiro exame, mudámos do cinzento cenário de uma sala de aulas para algo muito melhor. O professor levou-nos por entre portas e corredores, e terminámos os 5 "examinandos" sentados na cozinha, que além de cozinha e sala de testes era um ginásio... Um dos lados da divisão era todo ocupado por armários, um microondas e fogão, e, algures em cima da banca, repousava e descongelava um saquinho de filetes de peixe, para o almoço... A um canto, uma máquina de step. E no centro, uma grande mesa, onde nos sentámos, completamente desconcertados. Pairava no ar a incerteza... Será que o professor nos ia fazer o exame... ou oferecer um café?

Foi mesmo o exame. Mas são coisas destas que me alegram a vida!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Fotos com título - I

"Quantos dentes cabem numa foto? How many teeth can U put in the same pic???"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Susto

...é quando vamos pôr o lixo lá atrás, e damos com um roma, em horário laboral, metido dentro do caixote do lixo, e ele se levanta no exacto momento em que íamos atirar os nossos sacos com grande espectacularidade lá para dentro!
... ou é quando descobrimos que o quarto vazio do outro corredor tem a luz acesa e são duas da manhã... Como é bom dormir com as portas dos quartos trancadas (eu e a Blanca somos testemunhas)!

Cheia de encantos, a nossa casinha! ;)

sábado, 17 de janeiro de 2009

Qualidade (de)vida!

Janeiro adivinha-se um mês calmo, no que toca a historietas para contar. Estamos em época de stress e exames, todos os esforços são dirigidos ao estudo de Anatomia Patológica e outras belezas do género, como "Hygien of Poultry" e "Milk"...
E foi exactamente por pensar em todo este sacríficio, que decidi mudar a minha vida! Juntamente com a cafeteira que trouxe de Tugal (e uns saquinhos de Delta, também), a aquisição deste brinquedo tornou os meus dias mais coloridos. Não, não é o que estão a pensar. Mentes conspurcadas, por amor de Deus.

Senhores e senhoras, apresento-lhes:

A minha sendvicova! Pequenita, compacta, económica, de marca Tesco. Só qualidades. De certeza que toda a gente reparou na miúda que sorria para a fila de tostadeiras e torradeiras, ontem no Tesco. E o caminho entre as prateleiras e a caixa não foi feito a caminhar, foi quase um bailado digno de qualquer musical! Isso e o resto das compras da tarde: uma mug nova, para as meias de leite, um saco de pão, queijo e fiambre. De que valia ter o equipamento, se não tivesse a matéria bruta?

Pois bem, é nesta manhã de sábado que inauguro o meu novo, e sempre clássico, pequeno-almoço. Acreditem ou não, é uma maneira de matar saudades de Portugal (aquele cheirinho delicioso, nas manhãs de Primavera, quando chegava ao Pedagogo, e sentia a mistura do café, do pão quente e da manteiga). Senhores, vou-me ao pequeno-almoço! Disfrutem!

(aquilo ali é um pãozinho integral, todo à maneira, que descobri lá pelo Tesco. Não bate o pão tradicional da Carolina, nem o da Padaria da Estação, mas já é qualquer coisinha...)





quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lisboa, Viena, Kosice

Amanhã lá nos vamos outra vez... Atentem, queridos leitores, que não esquecemos Barcelona nem o nosso atribulado regresso a terras lusas (estamos a guardar-nos para uma reportagem bem completa e cheia de fotos).
Por agora, fica o roteiro para estes dias:
De Barroselas (eu) e de Braga (o Ghost) para Lisboa, a chegar ao fim da tarde, de lá para Viena, a chegar de madrugada... e depois de um dia de turismo GELADO em Viena vamo-nos a Kosice, que temos saudades e a nossa vida não é isto! ;)
Vah, até sábado!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Milk, Imaging, Férias



E hoje lá fizemos o nosso primeiro exame... Começa-se com uma coisa agradável, leite, aulinhas doces, leite condensado à colher, leite em pó colado ao céu da boca... Mas quando se olha os apontamentos do exame, não há grandes referências a este tipo de conhecimento. Lá tratámos de meter todas as temperaturas na cabeça como pudemos (ou na dobra da saia, ou algures em inocentes folhas espalhadas inocentemente pela mesa).
Mas foi bom... Um exame com apenas duas perguntas é coisa para assustar, mas lá se tenta alcançar um auxiliar de memória, relembrar a temperatura teimosa que não queria sair (as natas para a manteiga são pasteurizadas a 95 graus, nunca esqueçam!), e, sem dar por ela, é hora da nossa "conversinha" com a professora.
A professora de Milk é uma senhora amorosa, que está sentada na sua secretária e nos tenta fazer sentir em casa, mesmo estando no exame final da disciplina. Deixa-nos escolher qual a pergunta favorita, pede-nos que escrevamos o nome no livro de registos ("Your names are so difficult for us... you know?" sim, sei... passamos o mesmo com os deles...), e começa a conversar.
Todo o medo que possamos ter dissipa-se, creio. E a coisa correu-nos bem a todos! Os três tugas passaram, e os dois spanielsky corajosos também. A Blanca e a Clara acobardaram-se e ficaram em casa, mas em Janeiro está feito :)

Bem, resta dizer que nós tugas não cumprimos os requisitos de vestuário para exame (da minha parte, isso muda já em Janeiro), mas o Glório estava absolutamente adorável no seu fatinho riscado e na sua camisa rosa. Juro ;) Pessoas que levam o Milk muito a sério, é o que é.

Espero que este exame tenha sido um bom prenúncio. Um Excelent! a guiar os meus próximos testes parece-me óptimo... mas logo se vê.
Agora revê-se matéria para Imaging amanhã, embora a vontade fosse de estar algures no F-Club ou por aí, a beber e a dançar. Há que festejar as boas notas!!! Não é só beber para esquecer (recordar o glorioso chumbo no crédito de Patológica, curado com uma noite no Ibiza Club :P), há que beber por alegria também!


Bem, amanhã, depois, ou daqui a uns dias, as novidades sobre a viagem de volta!
Barcelona espera-nos :)





E casa... e a comida da mãe, e os chinelos do pai, e os abraços da Mariana, e o leite-creme da Bela, e os bolos da Elsa, e hmmm, uma sangria de champanhe do Álvaro, e uma data de gatos para conhecer, e o pai a ver o Preço certo, e as palavras e frases novas da Mariana, e o bacalhau do Natal, e pacotes de açúcar para o Élio, e falar da Checoslováquia com o Jorge, e ver os tios, e invejar o bronze da Ana... e a comiiiiida, espero não estar a repetir-me demasiado! Não...

Falta pouco! Saudades :)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Mais que uma aula, um Pequeno Almoço!

Este poderia bem ser o lema de algumas aulas de Milk Hygiene and Technology...

Ponto 1: A professora. Como hei-de explicar as particularidades da senhora... Pode ser assim: Cheira mal e está cronicamente perto da morte por falta de ar. "The milk ah.. ah... ah... is sterilized ah... ah... ah... at a temperature of ah... (cara de afição) ah... ah...". Só visto mesmo...

Ponto 2: A hora da aula. 7:15 da manhã, portanto 6:15 da manhã em Portugal.Agora imaginem o que é ter aulas ao ritmo de 2 palavras e 5 segundos de respiros ofegantes, a esta hora da manhã. Dou graças a deus pela minha capacidade espetacular de dormir com os olhos abertos... (e isto explica o porquê de eu não fazer a minima ideia a que temperatura é esterelizado o leite).

Ponto 3: Pequeno Almoço. Eu não sou a pessoa mais indicada para falar disso, mas a Silvia (colega eramus espanhola que, digamos que, não disfarça o entusiasmo com os productos lácteos) não está por aqui, não gosto de leite, não morro de amores por iogurtes e faltei à aula dos queijos (se eu soubesse...), no entanto,corria a informação, que a ultima aula iria consistir em leite condensado e gelados. Estavamos a chegar ao final da aula e o gelado sem aparecer, já eu dizia mal da minha vida, quando a prof chega com uma bruta duma Vienetta, que a nós, pobres Erasmus mal alimentados e subnutridos nos pareceu muito bem. Deixo-vos com fotos do momento esperando que a inveja vos consuma por dentro... :)




terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hoje, recebemos os nossos primeiros surfers


Hoje, a Podhradova recebe os seus 3 primeiros hóspedes. Desejem-nos sorte, vamos ver se tudo corre bem!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Estocolmo, Bratislava e Trencin


Muito sorrateiramente, os dias desde que chegámos a Kosice foram passando, e agora que damos por ela, já se foram dois meses. Pois bem, quando éramos todos um bando de desconhecidos, um grupo descoordenado e desconfiado, juntámo-nos uma noite e marcámos uma viagem. Sem o sabermos, essa seria uma noite importante: aí baptizámos o “Glório” e marcámos A viagem do primeiro semestre.
Pois bem, começando por onde se deve começar, tenho a dizer que para mim esta viagem começou uma boa semana antes da partida. Consultar mapas, procurar o metro, saber como chegar de Skavsta ao centro, que tempo faria, onde dormir, onde comer sem ficar demasiado pobre… ao longo dos dias fui-me inteirando de tantos pormenores, que Estocolmo já começava a ter contornos definidos para mim.
E assim, quinta-feira, depois de mais uma noite louca (entre o F, para o resto do pessoal, e a minha primeira, e fortíssima, noite de Exit), lá despertamos antes das 7, para apanhar o comboio e chegar ao inicio da tarde a Bratislava.
Muito bem agasalhados, a morrer de medo que as malas não passassem no controlo de aeroporto, com uns “bocadillos” para almoçar e enganar o tempo, e sem esquecer o Piticli, à hora certa partíamos para Bratislava.
Dormiu-se bem nesta viagem, acordámos de vez em quando para olhar a neve e o contraste entre montanha e planície, comum na Eslováquia, e tudo se passou sem incidentes. Em Bratislava, o tempo chegou apenas para apanhar um autocarro, e siga para o aeroporto.
Aqui os nossos receios revelaram-se infundados, e não só deixaram passar as malas sem problemas, como conseguiram trocar os meus papéis com os da Clara. Confusão resolvida, seguimos para o avião (atrasado), que nos levaria até Skavsta, cidadezinha 100km a sul de Estocolmo.
À chegada, a confusão do costume. Levantar dinheiro, trocar dinheiro, comprar o bilhete de autocarro para Estocolmo, comprar o passe de metro (que se revelaria um pouco inútil, mas pelo menos era o mais seguro), e certificar-nos de que estávamos todos. Os 8 ibéricos estavam a um passo da conquista ;)
Chegámos a Estocolmo já de noite, eram 9 horas quando o autocarro nos deixou em T-Centralen e tomámos o primeiro contacto com as baixas temperaturas da cidade. Mortissimos de fome, meios drogados de tanto dormir sem dormir, ainda tínhamos de procurar a Mariana, que se juntaria a nós, e a Ana, a prima de Clara que vinha do Norte para visitar a cidade.
Aparcámos na área de restauração da T-Centralen, conhecemos o primo da Clara, e preparámos o nosso plano de visita. Saciada a fome, separámo-nos nos diferentes grupos “de dormida” e fomos descansar. Esta viagem foi a nossa primeira experiência de Couchsurfing, um projecto ambicioso e interessante que vale a pena conhecer (http://www.couchsurfing.com/).
Sobre o rastafari que alojou as nossas chicas de Leon não podemos dizer muito, tendo em conta que não o conhecemos. Mas ficou-nos a imagem de alguém muito de espacio, com um gosto estranho pela fotografia, e que aloja pessoas sem muito entusiasmo. Vá lá, que pelo menos não lhes calhou um psicopata… ou o amigo Cola (vide, umas linhas abaixo).
Quanto ao nosso host, temos muito de bom a dizer! (Daniel, se estiveres a ler isto, é bom que tenhas noção de que nos estamos a afiambrar para mais um par de visitas). Esperou por nós até mais tarde do que era suposto, ofereceu-nos um chá, e deu-nos a sua cama para dormir. Um perfeito cavalheiro, com imensas histórias para contar.
Dormimos cedo, mas não demasiado, e na manhã seguinte o nosso agradável host despertou-nos pelas 7 horas, para que pudéssemos aproveitar Estocolmo em todo o seu esplendor.
Segunda viagem pela mítica linha azul (“Whatever you do, NEVER take the blue line!!” tinham-me dito na véspera), e pequeno-almoço em T-Centralen, o centro da nossa viagem à Veneza do Norte, ali ficámos à espera que se reunissem as tropas. Um pouco depois, também a Zeller e o Richard se juntaram ao grupo, e éramos 12 ibéricos a vaguear pela capital :)
O plano traçado na noite anterior acabou por ser simpaticamente abandonado, e começámos por ir a Gamla Stan, a Cidade Velha, muito mais ali à mão. É uma ilha cheia de casas de traça antiga (algumas sobrevivem desde a idade média), e onde podemos encontrar o Palácio Real, o Museu dos Nóbeis, e a rua mais estreita da Suécia. Entretivemo-nos a passear nas ruas e a ver lojas cheias de preciosidades, como um cão (vivo, sim) na montra de uma livraria, contornámos a marginal, e fomos até ao Palácio Real. Um pouco guiados pela nossa sorte Erasmus, passámos ali mesmo na hora da mudança da guarda, e tirámos uma bela foto com o guarda que estava a começar o seu turno. Estava morto de riso, o pobre do rapaz, enquanto andávamos por ali a fazer palhaçadas. Acredito que esteja habituado a este tipo de coisas.
No centro de Gamla Stan, começava a tomar forma um mercadinho de Natal, onde provámos algumas especialidades, e onde as chicas acabaram a comprar queijo, feitas gulosas! Prendas de Natal, dizem elas ;)
Vista a ilha antiga, voltámos para trás, para apanhar o Ferry para Djurgarden. Seguimos toda a marginal, que nos dá vistas muito bonitas, e frias como o Diabo, da outras ilhas, e acabámos outra vez de planos furados! Afinal o Ferry certo apanhava-se em Gamla Stan, e não valia a pena agora voltar para trás. Fomos a pé até Djurgarden, sempre maravilhados com o que víamos (já disse que estava um dia gelado, mas com um Sol estupendo? Ah pois é, somos Erasmus, temos direito a dias bons!).
Em Djurgarden, aquecemos a alma com chocolate quente, e passeamos um pouco pela ilha. Fotos e mais fotos, em frente do Nordiska Museet, e digam o que disserem não eram fotos ridículas, eram fotos temáticas, atenção!
Tinhamos vontade de ir ao Skansen museet, um museu ao ar livre, com os usos e costumes da Suécia, mas a falta de dinheiro e de tempo acabou por nos guiar até ao Ferry, em vez disso. Skansen e o Vasa Museet ficam para uma próxima visita a Estocolmo ;).
A viagem de Ferry é muito curtinha, com uma paragem em Skeppsholmen, mas vale imenso a pena. Ver a cidade desde a água, partilhando do dia-a-dia dos seus habitantes, é uma óptima experiência. E olhar o grande termómetro que marca -1ºC às 13.30, hmmm, imperdível!
Um pouco congelados, voltámos a parar em Gamla Stan, onde nunca nos sentimos desocupados. Procurámos a rua mais estreita da Suécia, subimos as suas escadinhas, e voltámos ao mercado. Aqui nos separámos, a Zeller e o Richard foram até casa, e nós decidimos visitar Sodermalm, a ilha grande a Sul. Pouco passava das 14.00h, mas o dia já começava a enfraquecer. As forças faltavam, depois de tanta hora a caminhar, e preferimos usar o metro para chegar a Zinkensdamm. Aí encontrámos o mais prestável de todos os senhores de terceira idade de Estocolmo, que nos sugeriu um roteiro para vermos a cidade desde a marginal, enquanto uma simpática quantidade de muco se pendurava no seu nariz. Meu senhor, muito obrigado, foi de uma simpatia extrema. Mas era quase impossível não sorrir, quando olhávamos para o seu nariz. Nada de pessoal, só muco!
A vista desde o lado Sul era preciosa, chegámos a tempo do pôr-do-Sol, os últimos raios a pintar as casas no nosso lado esquerdo, e em frente Stadshuset, uma das imagens emblemáticas da cidade. Mortos de frio e fome, ainda fomos até um dos picos que a Blanca insistia em visitar. Uma igreja, mais umas vistas, e voltámos para Hornsgatan, a avenida onde passaríamos o resto da tarde.
Em Hornsgatan, primam as lojas de segunda mão, lojas de decoração e pequenos cafés e bares onde se passam umas horas simpáticas. Descobrimos um bufet Kebab (no número 92, fica a dica), onde conseguimos combinar o almoço e o jantar numa mega-refeição por 7 euros. Não quero saber que tipo de animais e coisas comi, mas tenho a dizer que estava muito bom.
Mais uma vez dividimos as tropas, e combinámos encontrar-nos de novo mais tarde, para ir a um meeting de Couchsurfers. Eu e a Mariana decidimos passear um pouco mais, fazer window shopping, entrar nas lojas de roupa em segunda mão (onde nos apaixonámos por tudo e mais alguma coisa) e ver como a cidade se move num fim de tarde. No fim do nosso passeio, fomos brindadas com a chegada da neve, em pequenos flocos, muito tímida, mas o suficiente para nos fazer sentir parte do Inverno escandinavo. Voltámos a encontrar-nos com as chicas de Leon e com o Ghost, que tinham tomado posse do primeiro andar de um simpático café, e aí aquecemos um pouco antes de ir para o meeting.
O meeting de Couchsurfers é algo habitual em Estocolmo, e junta pessoas que oferecem os seus sofás com viajantes de ocasião, como nós. Além do nosso host, encontrei por lá outro rapaz que nos tinha oferecido casa, além de outro tuga, uma simpática francesa, e o nosso Cola, pois!
Como o ambiente por ali já começava a esfriar, mudámos de bar, e seguimos a conversa. Estranhamente, um dos couchsurfers acompanhou-nos em silêncio, e em silêncio ou com poucas palavras esteve sempre connosco, até ao fim da noite. Pessoa estranha, que falava muito devagar e perguntava coisas um pouco absurdas, ganhou cedo o nickname de Cola. E, acreditem, assenta-lhe como uma luva.

(o Cola, e nós a ver como raio o expulsar...)


Por ali nos ficámos, em conversas de circunstância, piadas e risos, tentativas de empurrar o Cola para fora das nossas rodinhas, miradas a estes nórdicos bem vestidos e de ar extremamente saudável… que horas seriam quando regressámos a casa? Não sei… mas era tarde! E até ainda mais tarde ficámos na conversa.


Assim, na manhã de sábado, com umas duas ou três horas de sono, fizemos as malas e dissemos adeus ao nosso host. Pobre do rapaz, mais a dormir que acordado, ainda se levantou para se despedir. Ficamos à espera de uma visita, seja aqui no Leste, seja em Portugal!
Entre o stress matinal de ver os miúdos de Wroclaw quase quase a perder o avião, e a maravilha que foi ver a cidade coberta de neve, as poucas horas que nos restavam em Estocolmo passaram a correr. Ainda fomos ao Globen, uma sala de espectáculos pouco convencional, e voltámos para T-Centralen.
Pouco mais a dizer sobre este sábado, passado entre a viagem de volta a Skavsta, e o voo para Bratislava, onde nos esperava ainda mais frio.
Check-in no Patio Hostel, frio, fome, vontade de banho quente e sesta… Encontrámos por lá os espanhóis da Jedlickova, e partilhámos o quarto com duas espanholas, de Erasmus em Itália. A pergunta impunha-se, “Que raio estão a fazer em Bratislava??” Extremamente simpáticas, ouviram as nossas histórias e deixaram o convite para uma visita a Bologna. Ao fim da tarde estávamos inspiradíssimas, talvez porque não dormimos, e riamos que nem histéricas com a piada “Estava com Ella!”, “Mas com quem?” “Com Ella!!!” Ok, não tentem perceber…
Domingo serviu para visitar a capital, que se revelou simpática e acolhedora… o centro histórico é simpático, e tem pequenos cafés e bares onde vale a pena parar. Nevou durante uma boa parte do nosso percurso, e o frio entranhava-se em nós de tal maneira, que só queríamos parar um pouco e aquecer. Nota dez para uma Chocolataria na Main Square, onde nos deliciámos com um fondue preciosíssimo! Saímos depois de jantar para um barzito, o Channel, e por ali se ficou, até o sono falar mais alto.
Segunda partimos para Trencin, uma bonita cidade mais a centro. O castelo domina as atenções, e toda a cidade se organiza em sua volta. Trepámos a montanha, vimos as vistas e fizemos uma visita guiada em Eslovaco (!). Extraordinário, pagar 40 coroas para ver retratos de pessoas feias como a morte…


Nevava em Trencin, também… e tudo fica muito mais bonito com os flocos branquinhos a cair do céu!
O almoço foi o ponto alto do dia, juro! Numa pizzaria com óptimo aspecto, lareira acesa, empregados que falavam inglês… e o menu do dia por 3 euros. Pode-se pedir mais? Claro que não! E uns penne com mexilhões deliciosos…
Voltámos a Kosice a meio da tarde, dormimos todo o caminho… e foi meios “grogues” que saltámos do comboio. Tudo nos pareceu estranho na estação, não parecíamos estar em Kosice, numa placa lia-se Vychod… e concluímos que não estávamos no sitio certo. Gritámos uns para os outros, e voltámos a subir… mesmo a tempo de percebermos que SIM estávamos em Kosice, e “Vychod” é “Saída” em eslovaco…eheeeeem… Vergonha…
No autocarro para casa, as chicas de Leon conseguiram por a cereja em cima do bolo. Como já é hábito, e fiadas de que ninguém fala outra língua que não eslovaco neste país, as miúdas vinham muito entretidas a comentar a roupa de uma rapariga… até que ela lhes diz “sabes, yo te entendo!”, e assim se criou o mais desconfortável silêncio da história!
















Bem, fica por aqui a minha descrição… com certeza omiti, esqueci e atropelei muitos pormenores, mas o essencial está aqui! Qualquer correcção ou adenda será bem-vinda! Até uma próxima viagem!















(Fotos a sério desta viagem estarão espalhadas pelos nossos Facebook e hi5...deixamos só algumas como introdução...)

sábado, 15 de novembro de 2008

2 meses

Dois meses desde que nos metemos no primeiro avião de três,Ghost!


Sei que não tenho sido boa de aturar, mas a data merece recordação :)


Amanhã é a tua vez de tecer considerações sobre viagens internacionais, jantares de boas-vindas em cima de portas de casa de banho, saídas à noite em sítios estranhos... e os nossos primeiros Tatransky!!! :P

sábado, 1 de novembro de 2008

Halloween - Podhradova Mental Hospital

Já se passou mais um Halloween, essa festa tipicamente portuguesa! E as gentes da Podhradova saíram à rua para festejar. Entre loucos como nós, e muita pele à mostra, a noite foi deveras divertida. Primeiro, numa flat party pouco convencional, e, depois, para quem foi, no já familiar Ibiza :)
Mas como uma imagem vale mais que mil palavras, muitas imagens dão para eu cortar completamente no texto. E esta preguiça impõe-se, a fazer jus ao estatuto de fim-de-semana. Ficam as fotos então :)

(Preparativos para a noite... demorámos mais tempo a vestir que noivas, e sim, a referência a casamentos prende-se com as roupinhas brancas :P)

(O Ghost era um desperdício nuclear!)

(Blanca, estas muy blanca...)

(A fuga do Podhradova Mental Hospital)

(Loucos à solta na cidade...)

(...e nos transportes públicos também!)

("Não te esqueças da medicação")

(Crazy hairstyle)


(O grupo dos loucos e afins)

(Facção feme-tuga-fatale)


(Todos disfarçados de mitra, diz que.)


(A líbido dos loucos é fortíssima)

(Ibiza, fim de noite!)

Pronto, minha gente. Continuamos com as coisas na próxima Purim party eh eh eh ainda bem que há mais do que uma altura do ano em que podemos sair de casa como nos dá na cabeça! :)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Dois dias, duas prendas...


Há dois dias, chegou isto, pelo Correio:

...e juro, mas juro, o meu dia não podia ter corrido melhor.

Ontem, depois de um minuto no Tram, recebemos isto:

...e tudo o que possa dizer sobre o dia de ontem, antes e depois desta multa, é tudo menos bom.

Por favor, que todos os dias me mandem coisas quentinhas directas ao coração. Era pedir muito? É que vai esfriando por aqui...




sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Wroclaw, here we go :)

Mais notícias dentro de 3 a 4 dias... que convém ressacar bem a coisa...