terça-feira, 25 de novembro de 2008

Estocolmo, Bratislava e Trencin


Muito sorrateiramente, os dias desde que chegámos a Kosice foram passando, e agora que damos por ela, já se foram dois meses. Pois bem, quando éramos todos um bando de desconhecidos, um grupo descoordenado e desconfiado, juntámo-nos uma noite e marcámos uma viagem. Sem o sabermos, essa seria uma noite importante: aí baptizámos o “Glório” e marcámos A viagem do primeiro semestre.
Pois bem, começando por onde se deve começar, tenho a dizer que para mim esta viagem começou uma boa semana antes da partida. Consultar mapas, procurar o metro, saber como chegar de Skavsta ao centro, que tempo faria, onde dormir, onde comer sem ficar demasiado pobre… ao longo dos dias fui-me inteirando de tantos pormenores, que Estocolmo já começava a ter contornos definidos para mim.
E assim, quinta-feira, depois de mais uma noite louca (entre o F, para o resto do pessoal, e a minha primeira, e fortíssima, noite de Exit), lá despertamos antes das 7, para apanhar o comboio e chegar ao inicio da tarde a Bratislava.
Muito bem agasalhados, a morrer de medo que as malas não passassem no controlo de aeroporto, com uns “bocadillos” para almoçar e enganar o tempo, e sem esquecer o Piticli, à hora certa partíamos para Bratislava.
Dormiu-se bem nesta viagem, acordámos de vez em quando para olhar a neve e o contraste entre montanha e planície, comum na Eslováquia, e tudo se passou sem incidentes. Em Bratislava, o tempo chegou apenas para apanhar um autocarro, e siga para o aeroporto.
Aqui os nossos receios revelaram-se infundados, e não só deixaram passar as malas sem problemas, como conseguiram trocar os meus papéis com os da Clara. Confusão resolvida, seguimos para o avião (atrasado), que nos levaria até Skavsta, cidadezinha 100km a sul de Estocolmo.
À chegada, a confusão do costume. Levantar dinheiro, trocar dinheiro, comprar o bilhete de autocarro para Estocolmo, comprar o passe de metro (que se revelaria um pouco inútil, mas pelo menos era o mais seguro), e certificar-nos de que estávamos todos. Os 8 ibéricos estavam a um passo da conquista ;)
Chegámos a Estocolmo já de noite, eram 9 horas quando o autocarro nos deixou em T-Centralen e tomámos o primeiro contacto com as baixas temperaturas da cidade. Mortissimos de fome, meios drogados de tanto dormir sem dormir, ainda tínhamos de procurar a Mariana, que se juntaria a nós, e a Ana, a prima de Clara que vinha do Norte para visitar a cidade.
Aparcámos na área de restauração da T-Centralen, conhecemos o primo da Clara, e preparámos o nosso plano de visita. Saciada a fome, separámo-nos nos diferentes grupos “de dormida” e fomos descansar. Esta viagem foi a nossa primeira experiência de Couchsurfing, um projecto ambicioso e interessante que vale a pena conhecer (http://www.couchsurfing.com/).
Sobre o rastafari que alojou as nossas chicas de Leon não podemos dizer muito, tendo em conta que não o conhecemos. Mas ficou-nos a imagem de alguém muito de espacio, com um gosto estranho pela fotografia, e que aloja pessoas sem muito entusiasmo. Vá lá, que pelo menos não lhes calhou um psicopata… ou o amigo Cola (vide, umas linhas abaixo).
Quanto ao nosso host, temos muito de bom a dizer! (Daniel, se estiveres a ler isto, é bom que tenhas noção de que nos estamos a afiambrar para mais um par de visitas). Esperou por nós até mais tarde do que era suposto, ofereceu-nos um chá, e deu-nos a sua cama para dormir. Um perfeito cavalheiro, com imensas histórias para contar.
Dormimos cedo, mas não demasiado, e na manhã seguinte o nosso agradável host despertou-nos pelas 7 horas, para que pudéssemos aproveitar Estocolmo em todo o seu esplendor.
Segunda viagem pela mítica linha azul (“Whatever you do, NEVER take the blue line!!” tinham-me dito na véspera), e pequeno-almoço em T-Centralen, o centro da nossa viagem à Veneza do Norte, ali ficámos à espera que se reunissem as tropas. Um pouco depois, também a Zeller e o Richard se juntaram ao grupo, e éramos 12 ibéricos a vaguear pela capital :)
O plano traçado na noite anterior acabou por ser simpaticamente abandonado, e começámos por ir a Gamla Stan, a Cidade Velha, muito mais ali à mão. É uma ilha cheia de casas de traça antiga (algumas sobrevivem desde a idade média), e onde podemos encontrar o Palácio Real, o Museu dos Nóbeis, e a rua mais estreita da Suécia. Entretivemo-nos a passear nas ruas e a ver lojas cheias de preciosidades, como um cão (vivo, sim) na montra de uma livraria, contornámos a marginal, e fomos até ao Palácio Real. Um pouco guiados pela nossa sorte Erasmus, passámos ali mesmo na hora da mudança da guarda, e tirámos uma bela foto com o guarda que estava a começar o seu turno. Estava morto de riso, o pobre do rapaz, enquanto andávamos por ali a fazer palhaçadas. Acredito que esteja habituado a este tipo de coisas.
No centro de Gamla Stan, começava a tomar forma um mercadinho de Natal, onde provámos algumas especialidades, e onde as chicas acabaram a comprar queijo, feitas gulosas! Prendas de Natal, dizem elas ;)
Vista a ilha antiga, voltámos para trás, para apanhar o Ferry para Djurgarden. Seguimos toda a marginal, que nos dá vistas muito bonitas, e frias como o Diabo, da outras ilhas, e acabámos outra vez de planos furados! Afinal o Ferry certo apanhava-se em Gamla Stan, e não valia a pena agora voltar para trás. Fomos a pé até Djurgarden, sempre maravilhados com o que víamos (já disse que estava um dia gelado, mas com um Sol estupendo? Ah pois é, somos Erasmus, temos direito a dias bons!).
Em Djurgarden, aquecemos a alma com chocolate quente, e passeamos um pouco pela ilha. Fotos e mais fotos, em frente do Nordiska Museet, e digam o que disserem não eram fotos ridículas, eram fotos temáticas, atenção!
Tinhamos vontade de ir ao Skansen museet, um museu ao ar livre, com os usos e costumes da Suécia, mas a falta de dinheiro e de tempo acabou por nos guiar até ao Ferry, em vez disso. Skansen e o Vasa Museet ficam para uma próxima visita a Estocolmo ;).
A viagem de Ferry é muito curtinha, com uma paragem em Skeppsholmen, mas vale imenso a pena. Ver a cidade desde a água, partilhando do dia-a-dia dos seus habitantes, é uma óptima experiência. E olhar o grande termómetro que marca -1ºC às 13.30, hmmm, imperdível!
Um pouco congelados, voltámos a parar em Gamla Stan, onde nunca nos sentimos desocupados. Procurámos a rua mais estreita da Suécia, subimos as suas escadinhas, e voltámos ao mercado. Aqui nos separámos, a Zeller e o Richard foram até casa, e nós decidimos visitar Sodermalm, a ilha grande a Sul. Pouco passava das 14.00h, mas o dia já começava a enfraquecer. As forças faltavam, depois de tanta hora a caminhar, e preferimos usar o metro para chegar a Zinkensdamm. Aí encontrámos o mais prestável de todos os senhores de terceira idade de Estocolmo, que nos sugeriu um roteiro para vermos a cidade desde a marginal, enquanto uma simpática quantidade de muco se pendurava no seu nariz. Meu senhor, muito obrigado, foi de uma simpatia extrema. Mas era quase impossível não sorrir, quando olhávamos para o seu nariz. Nada de pessoal, só muco!
A vista desde o lado Sul era preciosa, chegámos a tempo do pôr-do-Sol, os últimos raios a pintar as casas no nosso lado esquerdo, e em frente Stadshuset, uma das imagens emblemáticas da cidade. Mortos de frio e fome, ainda fomos até um dos picos que a Blanca insistia em visitar. Uma igreja, mais umas vistas, e voltámos para Hornsgatan, a avenida onde passaríamos o resto da tarde.
Em Hornsgatan, primam as lojas de segunda mão, lojas de decoração e pequenos cafés e bares onde se passam umas horas simpáticas. Descobrimos um bufet Kebab (no número 92, fica a dica), onde conseguimos combinar o almoço e o jantar numa mega-refeição por 7 euros. Não quero saber que tipo de animais e coisas comi, mas tenho a dizer que estava muito bom.
Mais uma vez dividimos as tropas, e combinámos encontrar-nos de novo mais tarde, para ir a um meeting de Couchsurfers. Eu e a Mariana decidimos passear um pouco mais, fazer window shopping, entrar nas lojas de roupa em segunda mão (onde nos apaixonámos por tudo e mais alguma coisa) e ver como a cidade se move num fim de tarde. No fim do nosso passeio, fomos brindadas com a chegada da neve, em pequenos flocos, muito tímida, mas o suficiente para nos fazer sentir parte do Inverno escandinavo. Voltámos a encontrar-nos com as chicas de Leon e com o Ghost, que tinham tomado posse do primeiro andar de um simpático café, e aí aquecemos um pouco antes de ir para o meeting.
O meeting de Couchsurfers é algo habitual em Estocolmo, e junta pessoas que oferecem os seus sofás com viajantes de ocasião, como nós. Além do nosso host, encontrei por lá outro rapaz que nos tinha oferecido casa, além de outro tuga, uma simpática francesa, e o nosso Cola, pois!
Como o ambiente por ali já começava a esfriar, mudámos de bar, e seguimos a conversa. Estranhamente, um dos couchsurfers acompanhou-nos em silêncio, e em silêncio ou com poucas palavras esteve sempre connosco, até ao fim da noite. Pessoa estranha, que falava muito devagar e perguntava coisas um pouco absurdas, ganhou cedo o nickname de Cola. E, acreditem, assenta-lhe como uma luva.

(o Cola, e nós a ver como raio o expulsar...)


Por ali nos ficámos, em conversas de circunstância, piadas e risos, tentativas de empurrar o Cola para fora das nossas rodinhas, miradas a estes nórdicos bem vestidos e de ar extremamente saudável… que horas seriam quando regressámos a casa? Não sei… mas era tarde! E até ainda mais tarde ficámos na conversa.


Assim, na manhã de sábado, com umas duas ou três horas de sono, fizemos as malas e dissemos adeus ao nosso host. Pobre do rapaz, mais a dormir que acordado, ainda se levantou para se despedir. Ficamos à espera de uma visita, seja aqui no Leste, seja em Portugal!
Entre o stress matinal de ver os miúdos de Wroclaw quase quase a perder o avião, e a maravilha que foi ver a cidade coberta de neve, as poucas horas que nos restavam em Estocolmo passaram a correr. Ainda fomos ao Globen, uma sala de espectáculos pouco convencional, e voltámos para T-Centralen.
Pouco mais a dizer sobre este sábado, passado entre a viagem de volta a Skavsta, e o voo para Bratislava, onde nos esperava ainda mais frio.
Check-in no Patio Hostel, frio, fome, vontade de banho quente e sesta… Encontrámos por lá os espanhóis da Jedlickova, e partilhámos o quarto com duas espanholas, de Erasmus em Itália. A pergunta impunha-se, “Que raio estão a fazer em Bratislava??” Extremamente simpáticas, ouviram as nossas histórias e deixaram o convite para uma visita a Bologna. Ao fim da tarde estávamos inspiradíssimas, talvez porque não dormimos, e riamos que nem histéricas com a piada “Estava com Ella!”, “Mas com quem?”Com Ella!!!” Ok, não tentem perceber…
Domingo serviu para visitar a capital, que se revelou simpática e acolhedora… o centro histórico é simpático, e tem pequenos cafés e bares onde vale a pena parar. Nevou durante uma boa parte do nosso percurso, e o frio entranhava-se em nós de tal maneira, que só queríamos parar um pouco e aquecer. Nota dez para uma Chocolataria na Main Square, onde nos deliciámos com um fondue preciosíssimo! Saímos depois de jantar para um barzito, o Channel, e por ali se ficou, até o sono falar mais alto.
Segunda partimos para Trencin, uma bonita cidade mais a centro. O castelo domina as atenções, e toda a cidade se organiza em sua volta. Trepámos a montanha, vimos as vistas e fizemos uma visita guiada em Eslovaco (!). Extraordinário, pagar 40 coroas para ver retratos de pessoas feias como a morte…


Nevava em Trencin, também… e tudo fica muito mais bonito com os flocos branquinhos a cair do céu!
O almoço foi o ponto alto do dia, juro! Numa pizzaria com óptimo aspecto, lareira acesa, empregados que falavam inglês… e o menu do dia por 3 euros. Pode-se pedir mais? Claro que não! E uns penne com mexilhões deliciosos…
Voltámos a Kosice a meio da tarde, dormimos todo o caminho… e foi meios “grogues” que saltámos do comboio. Tudo nos pareceu estranho na estação, não parecíamos estar em Kosice, numa placa lia-se Vychod… e concluímos que não estávamos no sitio certo. Gritámos uns para os outros, e voltámos a subir… mesmo a tempo de percebermos que SIM estávamos em Kosice, e “Vychod” é “Saída” em eslovaco…eheeeeem… Vergonha…
No autocarro para casa, as chicas de Leon conseguiram por a cereja em cima do bolo. Como já é hábito, e fiadas de que ninguém fala outra língua que não eslovaco neste país, as miúdas vinham muito entretidas a comentar a roupa de uma rapariga… até que ela lhes diz “sabes, yo te entendo!”, e assim se criou o mais desconfortável silêncio da história!
















Bem, fica por aqui a minha descrição… com certeza omiti, esqueci e atropelei muitos pormenores, mas o essencial está aqui! Qualquer correcção ou adenda será bem-vinda! Até uma próxima viagem!















(Fotos a sério desta viagem estarão espalhadas pelos nossos Facebook e hi5...deixamos só algumas como introdução...)

sábado, 15 de novembro de 2008

2 meses

Dois meses desde que nos metemos no primeiro avião de três,Ghost!


Sei que não tenho sido boa de aturar, mas a data merece recordação :)


Amanhã é a tua vez de tecer considerações sobre viagens internacionais, jantares de boas-vindas em cima de portas de casa de banho, saídas à noite em sítios estranhos... e os nossos primeiros Tatransky!!! :P

sábado, 1 de novembro de 2008

Halloween - Podhradova Mental Hospital

Já se passou mais um Halloween, essa festa tipicamente portuguesa! E as gentes da Podhradova saíram à rua para festejar. Entre loucos como nós, e muita pele à mostra, a noite foi deveras divertida. Primeiro, numa flat party pouco convencional, e, depois, para quem foi, no já familiar Ibiza :)
Mas como uma imagem vale mais que mil palavras, muitas imagens dão para eu cortar completamente no texto. E esta preguiça impõe-se, a fazer jus ao estatuto de fim-de-semana. Ficam as fotos então :)

(Preparativos para a noite... demorámos mais tempo a vestir que noivas, e sim, a referência a casamentos prende-se com as roupinhas brancas :P)

(O Ghost era um desperdício nuclear!)

(Blanca, estas muy blanca...)

(A fuga do Podhradova Mental Hospital)

(Loucos à solta na cidade...)

(...e nos transportes públicos também!)

("Não te esqueças da medicação")

(Crazy hairstyle)


(O grupo dos loucos e afins)

(Facção feme-tuga-fatale)


(Todos disfarçados de mitra, diz que.)


(A líbido dos loucos é fortíssima)

(Ibiza, fim de noite!)

Pronto, minha gente. Continuamos com as coisas na próxima Purim party eh eh eh ainda bem que há mais do que uma altura do ano em que podemos sair de casa como nos dá na cabeça! :)